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Mês de Maria Madalena Frescobaldi

Nascida em 1771, Maria Madalena dedicou parte do seu tempo para auxiliar mulheres marginalizadas, vítimas da prostituição. Em março de 1815, fundou a Congregação das Irmãs Passionistas de São Paulo da Cruz. Junto com um grupo de amigas, deu início à Missão Educativa Passionista. Hoje, as Irmãs Passionistas estão espalhadas em 27 nações dos cinco continentes, continuando o projeto de Maria Madalena.

Uma mulher extraordinária na fé, na ação e no amor, Maria Madalena acreditava que a educação era um encontro capaz de transformar a vida, reorientar o caminho da pessoa e fazê-la reencontrar a esperança.

Uma obra de arte feita em mármore, conta a história de Maria Madalena Frescobaldi Capponi, uma obra de arte de Deus.

Um canto… recordo-me o meu canto,
recordo-me o canto da minha vida.
Eu também percorri um longo caminho
antes de atravessar a escuridão da minha noite
para poder me firmar… ali… na outra margem,
ser dona da minha própria liberdade
e poder almejar a esperança de um novo dia.

Minha história, semelhante a história de tantas mulheres…
Minha história, diferente da história de tantas outras mulheres…
mas… eu não estou tão só como parece… quantas pessoas…

Amigos, amigas… boa tarde,
São tantas pessoas que estão aqui,
… vocês querem escutar a minha história?
Desejam saber quem eu sou?

Sou eu… e somos tantas…

Eu… eu não tenho nome e não tenho rosto…
porque tenho tantos nomes e tantos rostos…
Eu… mulher sem nome,
posso ter tantos nomes e a fisionomia de tantas mulheres,
exploradas, marginalizadas, sozinhas…
Sou mulher de ontem, de hoje e de amanhã…
em mim, juntam-se culturas e raças,
Eu mulher… sem direitos, sem identidade.

Meu rosto não interessa,
não interessa o meu coração e tão pouco os meus sentimentos…
os sonhos, as esperanças…
ou seja, o que interessa de verdade é o meu corpo
o prazer que ele traz ao homem.

Minha casa é a rua, moradia da solidão, do medo,
onde tive a tristeza de conhecer a violência, o estupro, o abuso…
desprezo, solidão e angustia…
depois o julgamento e a sentença do "povo de bem".

Mas eu, entre tantas companheiras, eu sou agraciada.
Fiquei doente… estive internada em um hospital separada de todas as minhas companheiras… amigas de aventura.

Em meio a tantas como eu…
minha doença… tinha tantos nomes:
ignorância, miseria, dores, culpa…
O futuro parecía destinado… sem retorno…
meu coração era dominado pelo medo…
Estava só, só, sozinha…

Mas… um dia…
Como posso esquecer aquele dia!
Para mim é um sinal de ressurreição
o início de uma vida nova.

Aquele dia… Ela chegou,
… entrou por aquela porta…
Não tapou o nariz diante do mal cheiro de tantos corpos
e tantas pessoas…
como faziam tantas mulheres ricas
que vinham nos visitar por caridade e fazer uma boa obra…
para se salvar, para salvar sua própria alma… sua própria fisionomia.

Ela não… ela era livre, espontânea, verdadeira…
Sorria e falava como se fôssemos todas suas filhas.
Ela não era sozinha… mas era especial…
conversou comigo, com tanta ternura…

Seu olhar…
tantos me olharam:
homens, vigias, caminhantes…
mas seus olhares eram cheios
de desejos, de desprezos, de nojo…

Bom, eu, o verme da sociedade…
Descaso, e mais descasos…
era preferível a morte!
Mas, seu olhar… não sei descrever o seu olhar.
só sei que contagiou o meu coração.

- "Se deseja, tenho uma casa para você!" – dizia ela.
- "Uma casa? O que é uma casa?

Eu sempre fui rejeitada
também de um casebre onde eu vivía.

- " Se deseja, qualquer um pode se salvar!"
- "Por que existem pessoas que desejam salvar-me? Eu só conheci pessoas que queriam aproveitar-se de mim…!"
- "Se deseja… Se deseja…" repetiu ela.

Ela era doce e precisa, terna e firme.
Eu pensei muito e um dia…
Decidi-me ir à casa dela…
Espontaneamente… não me senti obrigada…

A porta estava aberta e ela estava lá para me atender.

Você não pode imaginar o que significa ser esperada, acolhida, sonhada.
Saber que aquela experiência era um recomeço.
Que tem alguém que pensa em você!
Ela estava lá… um caminho de luz, me conduzia a ela.
Ela esperava por mim e eu compreendi que ela não esperava somente por mim…
mas, naquele momento eu era única.

Ela acompanhava todos os nomes e todas as faces que como eu
estavam privadas de humanidade.
Senti outra vez, depois de tê-la visto… o carinho do seu olhar…

Seu olhar… quem pode esquecer-se de um olhar assim…
Seu olhar… acompanhava-me, além do medo, além do medo de minha pobreza,
seu olhar… contemplava e não julgava…
Caminhava longe e em profundidade…
Era como se pudesse ler em meu medo a glória da ressurreição,
como se pudesse antecipar a aurora na noite da minha solidão…
Seu olhar era terno e decisivo… firme e doce…
Bom, verdadeiro, amável… assim era o seu olhar…

De onde vinha um olhar assim… onde estava escondido?
Para que fosse assim humano, vivo, penetrante e profundo?

Eu vivi momentos difíceis até chegar a ela
E aqui estou, despojada de tudo, deitada sobre o seu colo…

Um choro libertador me abriu o coração…
cheio de vergonha, medo, temor…
… não consigo levantar o meu rosto,
minhas mãos estão nervosas e trêmulas,
meus cabelos abraçam os seus joelhos…
meu choro é libertador…

Eu senti,
Senti sua mão direita que abraçava o meu corpo,
vestido e nu ao mesmo tempo:
O corpo de cada mulher violentada em sua própria dignidade.
Impossível descrever o encontro com sua mão…
As mãos que me tocavam antes eram para aproveitar-se de mim e me ferir,
As mãos dela não, eram como um bálsamo que sarava.
Senti que aquele momento era um retorno, igual aquele do Filho Pródigo.

É verdade, depois de tanto tempo acendeu-se uma luz
na janela do meu coração,
meu rosto e o seu ventre:
um ventre que tinha gerado vida
e estava protegido – era o que diziam por toda a cidade.

Mas ela… não se lamentava do que lhe havia acontecido no passado,
parecia que a ferida havia lhe feito mais mãe,
que o seu ventre, lhe tinha dado mais vida.

Ternura, piedade, misericórida, beleza estavam envolvendo o seu ser…
A sua mão de mãe que acolhia sem constrangimento,
corrigia sem reprimir,
e, mais que tudo motivava, motivava a ousar-se… a vida.
Minha filha… ela falava. Você é amada.

- Minha filha?
Você não pode imaginar a doçura com que seus lábios pronunciavam…
que enchiam o meu coração.
Não se maravilhava por minhas quedas
e sempre me ajudava a recomeçar… sempre!

E depois… sorria, simples e amável:
Era um prazer escutá-la:
falava de respeito, de acolhida,
de misericórdia… e de felicidade.

Entre eu e eu, me perguntava como era possível
Ser feliz em um mundo assim,
sim, é verdade, algumas vezes me parecia um tanto exagerada…

Poderia ficar ali para sempre…

Aquele espaço era convidativo e acolhedor…
O espaço que me convidava a perfeição
de uma vida doada…
e também estava lá, naquele circulo…
mas, não completamente.
alguma parte de mim, ainda estava "fora"

Era necessário arregaçar as mangas… como ela fez…

Uma mulher marquesa… com as mangas arregaçadas…
em Firenze somente as empregadas arregaçavam as mangas
para trabalhar sobre o olhar de seus patrões…

Para ela era uma atitude natural.
não tinha motivos para reter-me ali…

Aquele lugar, aquele abraço, não era um ninho
mas era um novo ponto de partida…
Uma nova oportunidade – dizia ela com uma linguagem vivaz.

Onde encontrar um novo ponto de partida…
para encontrar espaço também para outras jovens…
e tantas mulheres que como eu não tinham rosto, não tinham nome…

Tantas mulheres de ontem, de hoje e também de amanhã,
Mulheres de tantas raças e culturas que revelam seu nome.

Me levantei e perguntei-lhe o segredo
da força que ela tinha, de sua doçura
e da riqueza de sua humanidade…
Vi e pude compreender o seu segredo.

Sua mão esquerda circulava o coração…
Pude compreender de onde vinha aquele olhar,
Aquela mão… aquela beleza.
e ela me falou de um coração, não do seu coração.
o coração de alguém – ela dizia – que me amava.

Alguém que me amava?
Que de verdade havia morrido por mim?
Por mim? Eu pensei que era para engrandecer-se e também que era meio louco.
Alguém morto por mim? De verdade era o Filho de Deus.
Imaginem, Deus que se recordou de mim.

Nem meu pai e minha mãe
jamais tiveram pena de mim… eles me traíram…
Deus não deveria incomodar-se com uma pessoa como eu.

Naquele momento em que ela estava em silêncio e profundidade.
ela me falava de um desafio possível
Uma parte de mim, que a partir do encontro com ela, se fez conhecido.
um mistério, um abismo insondável, do qual transbordava
como um rio de ternura e de misericórdia,
um amor – ela dizia – que havia encontrado
a minha fragilidade
e que havia encontrado um amor que sempre me amou: este era Deus.

Aquele Deus crucificado que eu havia visto pintado
nas diversas Igrejas por onde eu havia passado algumas vezes,
para proteger-me das chuvas ou do frio.

Ele sim, era todo sacrificado por mim, para que eu fosse livre.
Ele, o Senhor Crucificado – como ela O chamava.
Ele Filho da Virgem Maria.
Eu fruto de suas chagas
E da dor de sua Mãe Dolorosa.

Pude compreender como seria a felicidade:
ser amada e amar,
Celebrar a vida, consagrar-me e poder doá-la
na graça do coração e do louvor.

Coloquei-me a pensar em tantas de minhas companheiras, sozinhas, tristes
ao longo daquele caminho que eu conhecia muito bem.
Uma nova luz se acendia.

Aqui estou – eu respondi – estou tocada por aquele olhar,
Desde as mãos e o Coração de Deus.
Reclinei-me e chorei muito sobre o seu colo…

Agora, eu também sou chamada a anunciar,
a dar testemunho deste amor que cura, que sara,
que renova e transforma.

Desejava viver em sua presença,
estar diante Dele também por aqueles
que me fizeram tanto mal.
levar ao seu coração os que estavam distantes…
Cantar-lhe o magníficat de uma vida doada,
para que todos tenham vida e a tenham em abundância.

Eu decidi:
vou fazer de minha vida uma ação de graças.
Meu nome é GRATIDÃO.

Depois outros jovens vieram para sua casa,
atraídas por seu dom e por sua capacidade de amar.
Não vinham das ruas como eu,
porém éramos todas IRMÃS, sem diferença alguma.

Dividimos tudo.
Dividimos a vida.
Éramos unidas e felizes.

Esta é a minha aventura
a aventura de tantas irmãs
que no carisma eram e somos "um só coração, uma só vontade no querer o bem."

Queridos, a história não termina aqui.
Do coração de Maria Madalena Frescobaldi transborda uma história que continua
… ultrapassando do nosso coração… do coração de cada um de vocês…
Tantos rostos, tantas fisionomias, tantas culturas, tantas línguas, milhares de vozes, tantos caminhos de luz… que se convertem e se unem a um só coração,
uma só alma e uma só vontade na caridade reciproca…

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